← voltar para escrita

o que fazer com a minha vida?

Quem nunca se fez essa pergunta? Eu sei que eu já perdi milhões de noites de sono pensando nisso, questionando se estava gastando meu tempo precioso aqui na terra da melhor forma possível.

Ao longo dos anos fui evoluindo minha forma de pensar, afinal a gente é o produto das coisas que aconteceram com a gente e eu consigo enxergar com muita clareza quais momentos da minha vida moldaram e influenciaram a forma que eu tenho de levar e de avaliar a minha vida hoje.

Como boa CDF eu pesquisei bastante e acho útil para qualquer pessoa fazer sua própria pesquisa, se tem uma coisa que eu aprendi é que definitivamente não existe resposta certa — existe o frame que funciona para você.

As referências que mais me influenciaram foram:

Ikigai — aprendi a importância de olhar para a vida de uma forma holística, entendendo seu papel no mundo e como você pode contribuir.

Meditations — aprendi como o mindset que você olha para a situação está nas suas mãos e como isso é poderoso para tudo na vida.

Man's Search for Meaning — aprendi sobre o poder inacreditável que existe dentro de nós quando temos algo que amamos e queremos viver por.

Stumbling on Happiness — aprendi que você nasce com um baseline de felicidade fixo mas que muito da sua felicidade está nas suas mãos e nas escolhas que você faz.

Design Your Life — aprendi como pensar como uma designer, valorizando o processo de tentativa, fracasso e aprendizado na construção da sua vida.

The War of Art — aprendi que existe uma força universal dentro das nossas mentes que luta contra o nosso desejo de alcançar nossos sonhos e precisamos lutar contra ela todos os dias.

Waking Up — aprendi que é possível enxergar espiritualidade na nossa experiência na terra sem estar associado a um dogma religioso e isso se dá através da nossa atenção consciente ao momento presente.


A partir dessas leituras, contemplação e muita tentativa e erro fui me entendendo como eu deveria olhar para o exercício de construir a minha vida. Chamo de exercício de forma proposital, precisa ser algo intencional — se não for, às vezes se passam seis meses, um ano, dois anos, e você se pergunta: meu deus o que eu tava fazendo com a minha vida?

"The unexamined life is not worth living." Sócrates

A partir desses aprendizados, dividi como deveria pensar sobre o assunto em algumas etapas:

1. Entender

Antes de tentar planejar uma vida, precisava entender o que eu valorizava em uma vida bem vivida. Dinheiro? Poder? Relacionamentos? Impacto? Liberdade? Responder como os humanos deveriam levar suas vidas é desafiador mas o que torna esse processo ainda mais complexo é que não estamos falando de qualquer vida. Estamos falando da nossa. E pra fazer sentido, precisamos entender quem a gente é, como pensamos, o que gostamos de fazer e o que valorizamos.

2. Sonhar

Depois de colocar os pés no chão e entender o que era a minha definição de vida bem vivida, coloquei no papel todos os sonhos intuitivos que eu tinha. Que processo gostoso de sonhar sem julgar nossos sonhos. A vida é rica de possibilidades se você souber usar a sua imaginação.

3. Prototipar

Chegou a hora de colocar a mão na massa. A vida é longa mas não conseguimos experimentar todas as possibilidades ao mesmo tempo. Para isso, precisamos pensar em nossas vidas como um produto e usar estratégias de testdrive antes de nos comprometermos com um caminho.

4. Viver

Viver e não só existir. De forma intencional você vai decidir um caminho e se comprometer com ele de corpo e alma para que você possa ser protagonista da construção da sua vida. É o início da sua jornada ativa e a partir de agora ela nunca mais se encerra — você pode e deve retomar o processo quando se encontrar em uma das muitas encruzilhadas da vida.


Essas etapas não são apenas contemplativas, são exercícios de reflexão, registro e ação. Tenho uma tendência de overthink tudo, e fui percebendo que não adianta a quantidade de livros que você lê sobre o assunto, seu estado mental e sua vida só vão de fato melhorar quando você começar a fazer algo a respeito disso — e a vida é lá fora — fora da sua cabeça. Viver se aprende vivendo.